quinta-feira, 9 de maio de 2013

Acédia e Hiperatividade: a corda nova do violão

Eu olhei o meu dia e percebi...
que eu continuo na mesma correria desde que Deus mexeu uns pauzinhos que se alinharam com as minhas vontades.
Desde então, eu fico feito corda nova de violão.
Explico já, mas primeiro gostaria de pedir perdão pela demora pra entregar uns macacos.

Como falei, comecei a trabalhar. É uma produtora/escola de cinema, muito legal, com gente legal...tem sido interessante e eu sou muito grata a Deus pois tem me dado dignidade. Isso aconteceu 7 dias depois que comecei a fazer os macacos. Eu recebi muitas encomendas e como faço a mão, não tenho sido tão rápida pra entregar!
Vou explicar. Cada macaco me gasta umas 3 horas pra fazer. Isso porque faço os pontos pequenos e juntinhos. Tento fazer o melhor que posso. Agora to quase ninja, mas ainda assim demoro muito.
Nesse sentido, continuo demorando pra entregar terminar e entregar.
E outra coisa tem acontecido: TUDO.
Tudo tem acontecido ao mesmo tempo e eu tenho tentado fazer tudo.
Sendo assim eu acordo cedo e não paro até 2 da manhã...fazendo tudo.
Macaco, comida, roupa, projetos de igreja, lendo/estudando. E eu tenho feito tudo quase que cronometradamente. O que me leva a outra coisa que tem acontecido.
Por estar fazendo tudo na continha do tempo, cronometrado, correndo...quando não dá tempo ou tenho que abrir mão de fazer alguma coisa eu me desespero e começo a murmurar, paro de fazer as coisas que realmente são importantes e pior, eu deixo de ouvir o que Deus tem pra mim.

Engraçado porque isso é basicamente o oposto do que acontecia há um mês atrás. Eu estava sem fazer nada, com todo o tempo do mundo e afundada na depressão e na crise existencial. A crise acontece porque a gente para pra pensar em quem somos, e como nunca temos tempo pra isso, quando esse tempo é-nos imposto, por exemplo por um desemprego, a gente enxerga e vê que não está no controle.

Portanto, perdoem-me, quem me encomendou os macacos. Mas é impossível servir ao proposito de Deus se, por estar tentando fazer o proposito dele, eu esqueço Dele.

E essas duas últimas semanas tem sido interessantes porque eu estou lendo um livro que tem me ensinado/dado tapas na cara, justamente nessas coisas. Se eu faço uma coisa errada num dia, nesse mesmo dia eu leio uma página desse livro que coincidentemente diz que é errado fazer aquilo. E plaft, tapa na cara.

E na segunda-feira, 06 de maio de 2013, lá estava eu na parada de ônibus, reclamando porque o ônibus não chegava e eu tinha pressa pra chegar em casa e costurar macacos e num sei mais o quê, quando por telefone meu namorado me diz: 'você não está no controle dessas coisas, confia.'

Nossa, como aquilo me irritou. Chegou o ônibus, entrei, abri o livro, que começou a falar:
"O esforço para atingir o planejado descreve as agendas de muitos de nós que não mais estamos motivados a realizar o verdadeiro trabalho do ministério. A hiperatividade está para a motivação autêntica como doces e balas estão para uma dieta equilibrada... Quando nos esquecemos do 'por quê', tornamo-nos obcecados com o 'como'."
Num trecho anterior, que usei sábado passado numa reflexão que levei para o Koinonia do 513, que eu já tinha lido e pensava ter aprendido, o autor dizia que ele se viu durante a implantação da igreja que estava responsável com hérnias de disco que o fizeram deitar apenas no chão, porque a cama era muito macia. Só quando estava com muita dor, paralisado, ele achou uma oportunidade para orar pelas pessoas e pela igreja. E disse a Deus: "Senhor, obrigado pois essas horas de oração foram doces. É muito ruim não ter tempo de fazer isso quando estou trabalhando."
Ele fala que Deus respondeu com uma voz nada agradável: "Tolo. Você tem as mesmas 24 horas no dia, quer esteja doente ou são. O problema é que quando você está são, pensa que está no controle; porém, na doença, sabe que não."

Nossa. Lembrei de como eu estava há um mês atrás. No chão. Eu chorava, eu não via propósito nas coisas. Era a Acédia que o mesmo autor comenta nesse livro como o pecado gêmeo da hiperatividade. Pensando bem, um leva ao outro. Acédia é a fadiga que nos leva a pensar "Pra quê? Que diferença faz?" Fadiga essa causada pela hiperatividade, que nos deixa néscios com relação ao real proposito, do 'por quê'.
O mesmo autor fala da Igreja de Éfeso, em Apocalipse 2:1-7. Ela tem feito tudo muito bonitinho, mas esqueceu o por quê. "O primeiro amor se foi e tudo o que restou foi a forma e as armadilhas".

É como ser uma corda nova de violão. Sabe corda nova? Que a cada 2 segundos desafina pra um extremo. Oscila muito e o som sai uma droga. É aquela coisa, nunca há o equilíbrio, sempre um extremo. Ou muito grave ou muito aguda. Eu tenho sido assim pra tudo.

E ai eu me pego louca, reclamando por estar sem tempo, esquecendo de tudo o que passei e aprendi, contando os segundos pra ver se dá tempo de fazer tudo, esquecendo de orar...

E ai, po...os macaquinhos eram para me servir como estímulo e motivação para o serviço a Deus e para levantar meu sustento dos 4 dias que vou passar no Congresso do Alfa e Ômega, não para me fazer esquecer o primeiro amor e só restar essas armadilhas.

Então sempre que me pego frenética pensando em tempo e correria e etc, eu paro. Coloco diante de Deus as prioridades. Essa semana, eu tinha que resolver um monte de bronca, comprar mais meias , mandar presente de dia das mães, pensar numa maneira de fazer o Projeto Nascente...mas aí parei e coloquei diante de Deus qual deveria ser minha prioridade.

E aqui eu peço perdão, queridos ofertadores. Essa semana só fiz o macaco da minha mãe. [E vocês podem entender o por quê.] Porque minha prioridade era na oração e no Projeto Nascente. Não fui tão bem sucedida. Como falei, ainda vivo como corda nova de violão. Mas tenho puxado esse freio. A corda só encontra o equilíbrio quando ela cede. E eu coloquei o primeiro amor no primeiro lugar.

Espero que vocês entendam.

[Ah...o livro veio até mim meio sem querer. Meu pastor me emprestou. É o 'Aprofundando o diálogo com Deus' do Ben Patterson.]

Deus seja louvado.











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